Rafinha Bastos, Wanessa, o Bebê, Christiane Torloni, Washington Olivetto e o movimento antropofágico de 22 com Tarsila do Amaral.

Richard Dawkins

Bem, muita gente hoje, você já notou. Permita-me incluir mais um na conversa. Em 1976, o zoólogo evolucionista Richard Dawkins assombrou o mundo com o seu livro: “O gene egoísta”. O motivo? Não somos especiais, mas tudo dito de um jeito bem especial e carinhoso por ele. Ou melhor, até somos, mas só para nossos genes; só como receptáculos de um motinho de informação genética que quer a todo custo se multiplicar. Somos só a parte carnuda, vistosa (alguns nem isso), dispensável e que irá apodrecer da fruta. Os genes foram tão fundo nisso que criaram um organismo tão complexo como, por exemplo, o do Rafinha Bastos. Mas não é isso que gostaria de lembrar do livro. E sim um capítulo sobre os “memes”.

Darwin

De um jeito grotesco, um gene é como um meme. Enquanto o primeiro é o veículo que importa para a manutenção da vida e da evolução, o meme é o responsável por ser a unidade básica de uma ideia, o tijolinho do imaginário coletivo e da evolução cultural. Um meme é aquilo que em nossa mente tem a capacidade de se auto reproduzir, como o DNA, ou no caso, como um vírus, se propagando de mente em mente e contaminando tudo: pode ser o refrão da Eguinha Pocotó, a vontade de se criar o estado palestino (ou destruí-lo), ou uma piada banal, fora de hora (mas, detalhe, no horário nobre) como: “Eu como ela e o bebê”.

Christiane Torloni

O que me lembra a Christiane Torloni, que só está neste texto pela cota de atores globais exigida para Ler o conteúdo completo…

A vingança do estagiário: A verdade que você não sabe sobre Eugênio Mohallem e Marcello Serpa

ilustração: @fernandomosca

ilustração: @fernandomosca

Esta é uma história de amor e superação, embora alguém possa me acusar dizendo que instintos menores a dominem. É uma homenagem, mesmo que ao final vá parecer outra coisa, a um dos maiores redatores publicitários (sic) que o Brasil conheceu: Eugênio Mohallem. Ele ainda não morreu, que se diga logo ao estagiário que não tem ido às aulas, mas é melhor fazer o texto como se tivesse morrido, porque toda homenagem póstuma parece caber melhor ao defunto e ao homenageado. Vamos lá, então.

Tudo começa com uma mãe grávida. Mas, notem, ela está numa encruzilhada, e é sexta-feira, à noite. De longe parece reza, um pedido de ajuda aos céus para que a sorte acompanhe o futuro dos que ama, mas é só um despacho mesmo. O rebento, pequena semente de luz, promessa do vir a ser, testemunho do… (ok, poupemos o leitor mais avesso a metáforas)… O rebento sente o cheiro da galinha e resolve antecipar sua vinda a este mundo cruel e definitivo. Ele força a barra, a bolsa estoura e… Lá está ele, que sorriso vencedor. Não há dor, apenas regozijo e um cheiro de coisa queimada. É a boa-nova que se anuncia. E a pobre mãe o tem ali, entre as velas, a galinha preta, que faz o papel de parteira, e as garrafas de pinga, que servem pra limpar o pobre feto que logo, ali pelo penúltimo parágrafo, terá um destino que irá contrariar toda a lógica de sua vida de amarguras e das bem alinhavadas linhas deste texto magnífico.

O pequeno toma amor por aquela senhora que tão bem cuida dele. E quando o amor irá finalmente triunfar, neste momento há uma reviravolta. Vrum! O pequeno Eugênio fica sabendo de toda a verdade. Ele fora encomendado para fazer parte de um projeto maior, de um sacrifício em nome de Deus. De fato, sua mãe faz bico como faxineira (além de vender uma coisinha ou outra da Mary Key) em uma seita secreta, tudo isso por causa da inflação terrível da época. Por causa do Ler o conteúdo completo…

18
set 2011
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Sapatênis: ou o meu pedido de demissão

Renato Cabral, no horário de almoço

Renato Cabral, no horário de almoço

Achei que dava para suportar sem minha caderneta de frases inoportunas, sem os tapas e pontapés, que me deixavam feio, mas me defendiam. Pensei que se não abrisse a janela do departamento, estaria livre das ruas que não visitei, das mulheres que não provei. Daí, aceitei a ideia de que a velha ideia de ir de Lhasa a Kathmandu pedalando poderia esperar. Esperar talvez até que o câncer viesse primeiro, ou o primeiro infarto. Porque para toda inação ou falso desconsolo é preciso uma alavanca e um martelo para nos tirar do lugar.

E foi quando assinaram minha carteira. Tirei uma foto sorrindo, ganhei um canto na cela. Segui o horário, atento para atrasos menores que 15 minutos e no lanche comi pão com manteiga. Achei gostoso. De mentira. Falei mal de alguns perto do bebedouro. De verdade. Respondi a todo bom-dia com um sorriso carregado. Dei abraços demorados nos que faziam aniversário. Achei que, compartilhando as pequenas coisas que enchem um dia de migalhas, estaria com eles e o tempo passaria mais rápido. E passou mesmo.

Depois das dezoito, o aperto no peito cedia. Mas era leveza de vazio, de quem havia jogado sua arca de ouro no mar e ficado mais pobre que antes. No domingo, o aperto apertava de novo. O dia de folga para chorar a falta do que fazer estava acabando. E me lembrava dos poucos feriados Ler o conteúdo completo…

06
ago 2011
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Você faz o que gosta?

Inspirador este vídeo aqui. Presta atenção no que o cara fala sobre fazer o que a gente não gosta.

O mini-documentário com o artesão Hélio Leites faz parte do projeto “O que é tristeza pra você?”, que foi criado pra divulgar o filme Thomás Tristonho. A história é sobre um menino rei midas meio torto, que acredita entristecer tudo o que toca. Parece interessante, né? Pelo que vi no site, fica pronto ainda nesse ano.

Dica do @victorjermann

30
mar 2011
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Design bacana, com cerveja.

O blog Oh Beautiful Beer reúne uma compilação de embalagens, rótulos e anúncios impressos de cervejas do mundo todo, mas só aqueles mais legais.

Eu conheço muito publicitário que usa cerveja pra se inspirar em suas criações.

Vi no Twitter do @papodehomem.

30
mar 2011
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Manual do jovem publicitário.

A coluna de André Barcinski na Folha tem textos muito engraçados sobre música, cinema, cotidiano e tudo aquilo que (não) interessa. E especialmente no hilário texto abaixo, ele tira uma onda gigante com a cara de nós publicitários. Alguém arrisca dizer que ele está mentindo?

“Tenho muitos amigos – e até parentes – que são publicitários. E tenho me espantando com a popularidade dessa profissão entre os mais jovens. Para ajudar quem está pensando em se dedicar a essa profissão cheia de glamour, resolvi fazer um pequeno guia. Espero que seja útil.

Como se inserir no mercado de trabalho

Fácil: minta no currículo. Ninguém vai checar mesmo.

Incluir cursos no exterior é sempre bom. Especialmente em cidades modernas e cool como Berlim ou Copenhagen. Ponha lá: “assistente de produção no Stor Oksekod, na Dinamarca”. Ninguém precisa saber que é uma churrascaria.

Outra coisa que sempre funciona bem em currículos é incluir premiações. Publicitários adoram Ler o conteúdo completo…

19
mar 2011
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A bolsa, a publicitária e o resto do universo.

Das grandes curiosidades que nos assolam, a bolsa só perde para o nosso mórbido desejo de ler o holerite dos colegas. Quem já ousou violar a bolsa de uma mulher e descobrir seus segredos abissais, misturados às escovas e às balinhas de hortelã? É de dar medo. Queremos descobrir o definitivo mistério que faz as mulheres tão diferentes dos homens e a bolsa é o mapa.

Só que há variações, óbvio. A bolsa de uma civil não é a mesma da bolsa de uma publicitária. Verão passado, após algumas direct messages, fui ter meu primeiro encontro com uma incauta. E quando ela foi ao banheiro, caí na tentação de mexericar sua bolsa e adentrar a seco nesse mistério profundo de sua intimidade (ui).

Depois de aberta, não sei bem o que aconteceu. Fiquei desacordado. Lembro-me, no entanto, que, quando acordei, estava preso sob um entulho de pequenas coisas.

Não conseguia respirar direito. Era um porta-retrato fincando o meu peito. Uma sensação desagradável mais embaixo me incomodava o traseiro: uma sombrinha. Eu tentando me livrar, mas a cada vez que me movia, a pilha de lenço de papel, conta de telefone, caderneta, presilha, sutiã, Neosaldina, Buscopã, guardanapo, meia-calça e um tomara-que-caia verde me paralisavam.

No sexto dia, exausto, só queria um pouco de água e comida. Sobrevivi sugando a umidade das balas de Halls e me alimentado das pétalas de três rosas que achei na página 64 da sua agenda. Isso me dava muita azia, mas sem água, nem os 37 envelopes de Sorrisal iriam ajudar.

Tentei usar o celular para chamar socorro, mas era pre-págo e só recebia. Quando alguém ligou, a bateria pifou. Carregador tinha, eu que não alcançava a tomada. Para manter a lucidez, minha leitura era decorar a bula do anticoncepcional e resolver as charadas de uns 8 briefings que ainda estavam jogados por ali. Não posso reclamar da higiene. Tinha a meu dispor papel higiênico e 13 tipos de cremes. Apesar de enfraquecido, minha aparência nunca esteve tão boa.

Já se passaram sete meses. Ainda estou aqui, preso debaixo de modes, preservativos, lixa de unha, um pequeno secador de cabelo, maquiagem, adoçante e um estojo de lápis de cor Fáber Castel de 36 (raridade). Como um náufrago, fiz uma amizade duradoura com o seu crachá. Mas nunca daríamos certo: ela é diretora de arte e, eu, redator. Mas, mesmo assim, se alguém estiver me ouvindo, por favor, diga para ela voltar logo do banheiro que essa sombrinha está me matando!

Por Renato Cabral. Uma homenagem à todas as publicitárias pelo Dia da Mulher, blá blá blá.

@CabralDiz

07
mar 2011
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