Cannes, o incrível fenômeno dos fantasmas de gaveta.
Durante todo ano a propaganda brasileira passa diante de nós com idéias interessantes. São tiradas engraçadinhas, sacadas visuais e alguns virais que chamam a atenção. Não é hora de discutir o que acontece durante todo o ano, mas sim o boom criativo que acontece em tempos de Cannes. Coincidência ou não, agora os anúncios brilhantes saem do armário. É dar um pulo no site do CCSP pra conhecer os inscritos e se surpreender. Com tudo aquilo que vemos no site, temos um caminhão de leões nos esperando na França. É certo isso. Mas quem explica esse fenômeno? Eu tenho vergonha disso, mas vamos lá.
A explicação é simples. Os criativos brasileiros se transformaram em máquinas caça-prêmios. Somos bons e criamos brilhantemente bem, mas nosso mercado não arrisca e não coloca as idéias no ar. No dia-a-dia raros são os exemplos como o “Passarinho” da Gol, que foi direto da rua para o estrelato. Criamos o trivial, o direto, o varejão simples. A culpa é de todos. Os anunciantes têm medo do público não captar a mensagem e as agências também têm medo de arriscar e perder contas. Preferimos colocar boas idéias na gaveta, depois de um tempo publicar em qualquer lugar para “esquentar” a peça e depois aceitar a fama internacional de ótimos criadores de fantasmas. Bom seria que nossa propaganda fosse exatamente aquilo que é inscrito em Cannes. Eu não perderia nenhum intervalo comercial na tv, clicaria em tudo quanto é banner de internet e compraria revista pra montar banco de referência criativa. Ainda chegamos lá.


12 de junho de 2007 as 1:47 pm
Ufa! Essa é pra refletir. Vou guardar essa frase: “Bom seria que nossa propaganda fosse exatamente aquilo que é inscrito em Cannes”.