Agências menores são sempre culpadas.

O post de hoje é motivado pelas últimas notícias de marcas e campanhas chupadas comentadas aqui no Brasil. A última que tem dado o que falar foi a acusação que a B Ferraz Full Promotion está sofrendo de ter chupado a marca do carnaval de São Paulo da francesa Agence Francophonie. Esse é um caso que tem maiores proporções porque envolve trabalhos grandes, mas e quando isso acontece no interior? Como fica?
No mercado de Uberlândia o hábito é sempre o mesmo: nós sempre somos culpados. Digo isso porque até eu me pego culpando quem é daqui por ter copiado campanhas que alguma agência maior veiculou, sem nem saber qual saiu primeiro. Alguns anos atrás um premiado criativo de Uberlândia foi massacrado por duas ou três de suas peças lembrarem outras criadas bem longe daqui. Não foi notada em nenhum instante a qualidade criativa e o perfil inovador do profissional quando isso aconteceu. O que pesou foi o divertimento de alguns outros tantos, verdadeiros carrascos condenando o profissional de plágio, mas será que foi mesmo?
Eu acretido muito, mas muito mesmo, em coincidências. O mundo hoje é um só, todos sofrem basicamente as mesmas influências. Todo mundo está exposto a um grande número de estímulos parecidíssimos. Com isso coisas parecidas podem ser criadas em lugares distintos. Eu por exemplo, já tive campanhas reprovadas que depois de 3 ou 4 meses de gaveta têm a mesma idéia veiculada por uma grande agência do eixão Rio-SP. Confesso que quando vejo fico nervoso e com raiva de não ter conseguido colocar o trabalho na rua. Mas em seguida vem um alívio, uma sensação de que criei algo interessante e que se um grande anunciante usou, é porque era realmente bom. Mas e se eu tivesse veiculado a campanha primeiro e enviado um e-mail com minhas peças para veículos grandes como Meio&Mensagem, BlueBus e outro mais acusando a supra-sumo de plágio? Será que realmente seria mostrado mundo afora que ali ocorreu um possível cópia? No caso do carnaval de SP não estou convencido de que a B Ferraz passa de inocente, mas tenho certeza de que se a marca fosse de uma rádio de Quixeramobim, no Ceará, ninguém teria a menor dúvida de quem chupou alguma coisa foi a agência do interior.
O que acontece é preconceito. Talvez porque ele comece justamente em quem o sofre. Começa em nós, profissionais de interior, que não nos valorizamos e esquecemos que o que é daqui também pode ser muito bom e pode, como qualquer outro trabalho, ser copiado ou ter sido concebido de forma parecido com alguma agência de São Paulo, Paris, Mumbai, Amsterdã, Bagdá ou Itapecerica da Serra. Então é melhor pesquisar antes de acusar. Analisar caso a caso e entender que uma marca ter exatamente o mesmo desenho, as mesmas cores e quase a mesma tipologia pode ter sido uma coincidência, mas que essa chance de defesa não seja permitida somente quando a acusada em questão é grande e poderosa.
Se você não sabe o que anda acontecendo, veja a notícia no Blue Bus aqui e a defesa da agência aqui.


7 de fevereiro de 2007 as 8:17 am
Essa aí não tem como nao! Foi copiada mesmo!
7 de fevereiro de 2007 as 9:06 am
No livro “Criação sem Pistolão” de Carlos Domingos, ele traz um capítulo
sobre este assunto. O título é: Chupou ou não chupou? No inicio ele fala que
criou um anuncio fantástico onde o seu cliente acabou aprovando e veiculando
na RV Veja. Passado isso um amigo dele mostrou um anuncio exatamente igual criado na
África do Sul. Até no texto ele comenta: “Não era parecido, era exatamente igual.”
Então assim, uma idéia que você pensa ser totalmente fantástica, já pode ter
sido criada por outra pessoa em algum local do mundo sem mesmo você ter
conhecimento sobre. As pessoas devem pensar 1000 x antes de dizer
que fulano chupou ou não campanha do outro. As referências acabam sendo
iguais para todos. Por exemplo: Uma musica aqui no Brasil pode me servir de
referência para criar uma campanha assim como a mesma música lá no
Paquistão pode servir de referência para um criativo. Temos a probabilidade de desenvolvermos a mesma idéia? Isto é chupar? Penso que não.
7 de fevereiro de 2007 as 9:08 am
Na realidade - pelo menos ao meu ver - é que quem acusa queria mesmo era
ter “chupado” primeiro, como chegou atrasado fala mal.
Referências são referências, tanto que em qualquer agência existem livros
e mais livros que criativos olham busncando referências. Acho que devemos
sim é arregassar as mangas, trabalhar e deixar estes pseudo-carrascos de lado.
7 de fevereiro de 2007 as 9:53 am
Nada se cria, tudo se transforma. Entrando um pouco no mérito da psicologia, não existe criação que surge do nada, as inovações, na só publicitárias, não vêem do além, elas são um emaranhado de informações adquiridas durante toda a vida do criativo, agrupadas de uma forma diferente.
Por isso eu acredito que pessoas diferentes em lugares diferentes podem ter visto o mesmo filme, consumido a mesmo pizza e inventado a mesma coisa. Mas é lógico: Plagio também existe.
7 de fevereiro de 2007 as 10:51 am
Concordo com a coincidencia, mas nesse caso não tiveram nem destreza de mudar as cores.
7 de fevereiro de 2007 as 12:52 pm
Realmente. O esquema das cores é meio difícil de engolir.
8 de fevereiro de 2007 as 3:50 pm
É claro que pode haver concidências… mas convenhamos, mesmo desenho,
mesmas cores, falar que isso e outros casos como esse inclusive daqui de Udia
são meras coincidências, que pode sim existir 2 pessoas que pensem totalmente
igual, inclusie com as mesmas fontes… Isso pra mim já é chamar as pessoas
de idiotas.
Sinto Muito mas no meu ver é bem difícil de engolir… A mesma opinião sobre alguma coisa, uma inspiração igual, tudo bem… agora transmissão de pensamento
já é demais. Sejamos mais sinceros com nós mesmos…
17 de dezembro de 2007 as 4:03 pm
I’d prefer reading in my native language, because my knowledge of your languange is no so well. But it was interesting! Look for some my links: